• Circo Voador, Rio de Janeiro
     I Encontro Nacional de Arte Capoeira
     Pé Quente - Cabeça Fria

    27 de nov - 2 de dez

    Informação

    Os «sete Velhos Mestres tradicionais da Bahia» presentes no evento foram:
    M Waldemar
    M Gato Preto
    M Canjiquinha
    M João Pequeno
    M Bom Cabrito
    M Atenilo
    M Paulo dos Anjos

    Imagens

    • Leia o texto abaixo

    • Jogando M Moraes e M Camisa
      Agachado M Cobra Mansa
      Em pé M João Pequeno (camisa azul)
      Berimbaus M Bom Cabrito, M Gato Preto e M Waldemar
      Pandeiro M Atenilo
      M Peixinho (em cima com câmera)
      Nov-Dez 1984
      Circo Voador, Rio de Janeiro

    • M Bom Cabrito?,
      M Suassuna,
      M Camisa,
      M Moraes,
      M Canjiquinha,
      M Gato Preto,
      M Waldemar,
      M Atenilo
      Nov-Dez 1984
      Circo Voador, Rio de Janeiro

    • Em pé: M Suassuna,
      M Bom Cabrito,
      M Moraes,
      M Canjiquinha,
      M Gato Preto,
      M Waldemar,
      M Atenilo
      Agachados M Cobra Mansa e M João Pequeno
      Nov-Dez 1984
      Circo Voador, Rio de Janeiro
      Acervo do M Pezão

    • Em pé: ?,
      M Waldemar,
      M Caio,
      ?
      Agachados: M Djop Barbosa,
      ?,
      M Cobra Mansa
      Nov-Dez 1984
      Circo Voador, Rio de Janeiro
      Acervo do M Djop Barbosa

    • Em pé: M Paulo dos Anjos,
      M Camisa,
      M Gato Preto,
      ?,
      M Lua Rasta,
      ?,
      M Caio,
      M Monsueto,
      ?,
      CM Santo Amaro?
      M Djop Barbosa.
      Agachados: ?,
      M Yuri,
      M Canjiquinha,
      ?,
      ?,
      M Atenilo.
      Nov-Dez 1984
      Circo Voador, Rio de Janeiro
      Acervo do M Djop Barbosa

    • M Gato Preto e M Paulo dos Anjos
      Nov-Dez 1984
      Circo Voador, Rio de Janeiro

    • M João Pequeno,
      M Milton,
      M Canjiquinha,
      M Atenilo,
      M Waldemar,
      M Paulo dos Anjos,
      M Gato Preto
      Nov-Dez, 1984
      Rio de Janeiro, Brasil

    • M João Pequeno,
      M Waldemar,
      M Atenilo,
      M Canjiquinha
      Nov-Dez, 1984
      Acervo do Oswaldo Negretti

    • M Waldemar e M Gato Preto
      Nov-Dez 1984
      Rio de Janeiro, Brasil

    • M Camisa,
      M Waldemar,
      M Gato Preto,
      M Miguel Machado
      Nov-Dez 1984
      Rio de Janeiro, Brasil

    I Encontro Nacional de Arte Capoeira, 1984


    O texto

    • página 1

      -

      I Encontro Nacional de Arte Capoeira
      Lilian Newlands, Ultima Hora
      Sábado, 1 de dezembro de 1984

      Circo Voador, Lapa - 21h - Fotos de Damião Ribeiro

      Perseguida no início do século, a arte sobreviveu em forma de folclore e hoje é aplaudida nas rodas que se abrem

      Sob os Arcos da Lapa a consagração da capoeira

      Decreto-Lei - Proibida a pratica da arte de capoeiragem sob pena de deportação para Fernando de Noronha. No início do século era assim. A repressão à capoeira enquadrada no Código Penal provocou a sua quase extinção no Rio e Recife, mas sobreviveu camuflada na Bahia sob a forma de folclore e explode em energia no Circo Voador (sob os Arcos da Lapa - tel: 256-2555/245-3585), que encerra amanhã o I Encontro de Arte Capoeira - Pé Quente - Cabeça Fria, patrocinado pelo Inacem e pela Lubrax.

      Em total de 70 capoeiristas de sete Estados, com suas delegações, chegaram ao Rio na última quarta-feira, junto aos sete Velhos Mestres tradicionas da Bahia. Entre eles Mestre Waldemar da Liberdade, o mais velho de todos, considerado o mais importante após a morte de Mestre Pastinha.

      A chegada dos capoeiristas, para um dos criadores do Circo Voador, Perfeito Fortuna, concretiza um antigo sonho, esboçado no verão de 81: "Foi no Arpoador. Encontrei o Orlando Miranda (SNT) que me aconselhou a fazer um show de capoeira. Através do grupo Manhas e Manias encontrei Mestre Camisa, do Centro de Capoeira Senzala, e fizemos o show. Foi uma alucinação cósmica. Gente de todas as partes, desde o filho de Israel Klabin ao cara do morro. Havia um clima místico provocado pelas pessoas. E era exatamente aquilo que procurávamos, algo de que todos pudessem participar, que não fosse aquele gueto. Tornei-me amigo de dessas pessoas e entendi que nosso negócio é a capoeira, que ela é a forma de expressão corporal do Brasil. Não dá pra entender, então, que as pessoas cheguem aqui, com técnicas aprendidas no exterior, querendo 'trabalhar' o corpo dos outros. Se o Brasil não fosse bobo, teríamos um corpo maravilhoso. Conversamos com o Inacem e o MEC, para trabalharmos no sentido de tirar o estigma da capoeira, aproveitar a riqueza que temos. Nos Estados Unidos, Japão e Canadá tem gente fazendo capoeira. Na verdade a capoeira se transformou no break, ou o break é uma vertente da capoeira. Os dois se parecem", conta Perfeito.

      Rafael Flores Viana, o Rafa ("o apelido é uma tradição da capoeira") inspirador do Grupo Senzala, considera seu trabalho "produto do fascínio pela capoeira." Baiano, morando no Rio, ele lembra que o primeiro contato com a capoeira foi através de uma briga: "Eu tinha oito anos e ví meu primo se defendendo com gestos de capoeira. A imagem ficou. Vim morar no Rio, encontrei um reduto de capoeira na Cinelándia, a academia do Waldo Santana. Treinava com meu irmão no terraço do prédio onde morávamos, e freqüentávamos um reduto pernambucano na Praça Mauá, do Mestre Marcelino. Os amigos foram chegando - Gato, Gil, Cláudio, Peixinho, Mosquito, Borracha, Itamar, Nestor, Garrincha e Camisa. O grupo se consolidou e já completou 20 anos."

      Rafael lembra que a força da capoeira que existia no Rio estava na Zona Norte com Mestre Arthur Emídio, Mário da Bonfim e Paraná. Na Zona Sul, só três alunos, de Mestre Sinhozinho: "Todos eles tiveram um valor histórico. Quando transmitimos capoeira para meninos da Zona Sul, percebemos que a dificuldade deles é maior".

      Rafa explica que, no Senzala, um professor se forma após 7 a 10 anos de aprendizado. E destaca a atuação do primeiro grupo de mulheres capoeiristas no Brasil: "São todas do Rio".

      O salto no ar, o riso no rosto, a arte da capoeira

      Liberdade, o nome de Mestre

      Perfeito e Rafa avisam: "Gente como ele não dá pra entrevistar de forma convencional. Tem que ficar ouvindo o que ele fala, como ele brinca, coisas assim. Ele faz tudo aquilo que uma criança faz. Sem censura".

      E Mestre Waldemar da Liberdade sai da roda, abre espaço, senta e vai falando: "Tem berimbau que a pessoa bota som de cabaça nele e aí ele não presta. Faço berimbau tem quatro [quarenta!] anos, só berimbau de taipoca, cafezeiro-brabo. Forneço pra Mercado (Salvador). Como é que faz? Madeira murcha, descasca ela, deixa secar. Cabaça pequena dá berimbau pequeno. O gunga fala grosso. Gosto de todos. Gosto mais do gunga pra acompanhar minha voz. Voz alta e cheia. Cabaça pequena é viola. Bem esticada ela fala agudo. Mais descansado, o som fica mais lento. Berimbau meu só arrumo na hora de cantar".

      "Em 53 vim ao Rio pela primeira vez, para o show do Caymmi, Acontece Que Sou Baiano. Esta é a segunda vez que venho ao Rio."

      - O Governo lhe ajudou, Mestre Waldemar?, pergunta Perfeito.

      - Graças a Deus, não. Não fui bem recompensado. Me pediram pra gravar, porque eu podia morrer e tinha que deixar um registro. Não alcancei nada de bom no tempo que tava forte. Me apresento porque tenho família; tenho que ter uns trocados. Moro num quarto com a família. A casa desabou com a chuva. Candomblé? Não gosto, não. O maior capoeirista foi Besouro. Aprendi capoeira com Siri de Manga [Mangue]. Era bom capoeirista mas morria de medo de briga. Tinha receio de homem danado! O melhor foi Besouro, por causa da mandinga. Aprendi berimbau debaixo de pau de arvoredo, ali o pau comia a tarde toda. Aprendi assim, no relento. Não cantou berimbau bem, pra mim não é Mestre. Se Pastinha era bom? (ele ri) Era sim. Conheci ele como presidente de um centro de capoeira. Pastinha ficou com ganáncia, afastou os outros, não deixou ninguém ser Mestre".

      "Aprendi capoeira em 1936, joguei até 1968. Em 1940 eu era um terror. Quando eu morrer vocês ficam aí, tomando conta."



    Video

    M Moraes e M Camisa, Circo Voador, 1984


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