• Reynivaldo Brito
     OS GRANDES MESTRES DA CAPOEIRA
    A Tarde, 2 de maio de 1982

    • Reynivaldo Brito, 1982
      Leia abaixo!

    • "Gato", "Joâo Pequeno" e "Canjiquinha" numa mesa de bar no Largo do Terreiro de Jesus falam da capoeira.

    • O mestre Waldemar, tocando berimbau ao lado de Cobrinha Verde observam a "brincadeira" de dois alunos.

    A Tarde, 1982


    Os grandes mestres da capoeira

    • A Tarde, 2 de maio de 1982

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      texto e fotos de Reynivaldo Brito

      Foto: João Grande, filho de Cobrinha Verde, João Pequeno, Cobrinha Verde, Canjiquinha e Waldemar no Largo do Pelourinho

      A "roda" está formada e todos batem palmas. Agachados, dois jovens negros cumprimentam-se com um aperto de mão. Os berimbaus são acionados pelos mestres capoeiras Rafael Alves França (Cobrinha Verde), Waldemar da Paixão (Waldemar), Washington Bruno da Silva (Canjiquinha), José Gabriel Góes (Gato), João Pereira dos Santos (João Pequeno) e João Oliveira dos Santos (João Grande), os quais foram reunidos juntamente com seus principais alunos. Juntos, percorreram o Largo do Pelourinho, antigo palco das lutas dos grandes capoeiras baianos e também o Terreiro de Jesus e várias ruas integrantes do conjunto arquitetônico do Pelourinho onde na época do Brasil Colônia concentraram-se os barões e seus escravos que praticavam a capoeira nas horas vagas e quase sempre eram perseguidos pela Polícia. Todos estão com mais de cinqüenta anos e o mais velho é Rafael Alves França, o Cobrinha Verde, com 74 anos de idade um dos mais famosos capoeiras da Bahia, hoje com sérios problemas cardíacos, mas não se conteve quando os berimbaus começaram a tocar. Arregaçou as mangas do paletó e foi para o centro da roda à espera de um parceiro. Lutou só alguns minutos, é verdade, mas mostrou a destreza e a malandragem que ainda guarda, mesmo estando velho e doente. Sim, porque a capoeira é mistura de dança, luta, música e acima de tudo, fé. Os que jogam capoeira chamados de capoeiristas ou capoeiras têm extrema confiança na sua destreza, na agilidade de seus corpos e principalmente na malandragem que é o ponto alto desta luta quando o capoeira sempre pega seu adversário de surpresa e nunca é supreendido.

      José Gabriel Góes, o Gato, e Vermelho [27], o seguidor de Bimba têm academias de capoeira; Waldemar da Paixão faz berimbaus para os barraqueiros do Mercado Modelo vender aos turistas e também berimbaus especiais para os grandes capoeiras, Washington Bruno da Silva, o Canjiquinha já teve academia e hoje é um humilde funcionário da Prefeitura do Salvador, João Oliveira dos Santos, o João Grande, é lavador de carros num posto de gasolina e nas horas vagas trabalha tocando berimbau para um grupo folclórico dirigido pelo capoeirista chamado Vermelho 27 [Vermelho de Pastinha, não 27], ex-discípulo do mestre Pastinha, Rafael Alves França, o Cobrinha Verde está doente e residindo em casa de seu filho Júlio, seu discípulo e grande capoeirista, o qual forçosamente o substituirá.

      É bem verdade que o capoeira desde o seu surgimento foi considerado um marginal, um delinqüente e a sociedade o vigiava e haviam leis penais para enquadrá-lo e puni-lo. O Código Criminal do Império do Brasil, de 1830 considera o capoeira um vadio, sem profissão definida, razão por que estava implicitamente enquadrado no Capítulo IV, Artigo 295, que trata do vadios e mendigos. Já o Código Penal da República dos Estados Unidos do Brasil, instituído pelo Decreto Número 847, de 11 de outubro de 1890 deu-lhe tratamento específico no Capítulo XIII, intitulado: Dos vadios e capoeiras e estipulava prisão celular por dois a seis meses e aos chefes (mestres) a pena seria em dobro. Houve vários conflitos entre capoeiras e autoridades ao ponto do assunto ser discutido como segurança nacional nos últimos dias do Império e nos primeiros da República. Os conflitos quase obrigaram ao marechal Deodoro da Fonseza destituir seu gabinete, sendo o estopim o temido capoeira Juca Reis (José Elísio Reis), filho do primeiro conde de São Salvador de Matosinhos. Ele desafiou a autoridade de Joaquim Sampaio Ferraz, primeiro chefe de Polícia da República que punia os capoeiras e o caso terminou na sessão do Conselho de Ministros. Na Bahia, o chefe da Polícia Pedro de Azevedo Gordilho, o Pedrito ficou famoso por perseguir o candomblé e os capoeiras. Mas foi em 1937 que Manoel dos Reis Machado, o Bimba conseguiu registrá-la na Secretaria de Educação. Veio a ascenção quando o interventor Juracy Magalhães mandou um soldado na academia de Bimba entregar-lhe um ofício, solicitando o seu comparecimento ao palácio. Bimba avisou a seus alunos se não retornasse era porque estava preso. Lá foi supreendido por um convite para mostrar sua capoeira a diversas autoridades que visitavam a Bahia. De perseguida a capoeira ganhou os colégios, as praças e hoje é tida como uma das mais fortes manifestações da cultura afro-brasileira.

      A RODA E O BERIMBAU

      Para a existência de uma roda de capoeira é preciso antes de tudo de um bom tocador de berimbau. O berimbau é um instrumento constituido por uma vara de pau que pode ser de araçá, pombo, ou outra madeira qualquer que tenha a elasticidade que permita que o mesmo seja dobrado em forma de meia-lua, pois em suas extremidades é preso um arame de aço sob tensão. A caixa de ressonância é uma cabaça de tamanho regular e segundo o grande fabricante de berimbaus, o mestre Waldemar da Paixão - a cabaça tem que ser fixa, além de uma moeda de cobre, uma vareta e um caxixi. É o berimbau quem dita o jogo e a música envolvente que sai dos vários toques seduz os presentes. Mas, quem puxa a ladainha é o mestre que funciona como solista, e sempre acompanhado pelo coro de seus alunos. Além do berimbau é necessário um bom pandeiro, reco-reco e as palmas dos presentes para o "jogo" ou a "brincadeira" esquentar. A cada toque do berimbau corresponde uma modalidade de jogo. Os versos não possuem métrica ou rima. São na maioria das vezes improvidados e sempre ligados a temas que revelam suas raízes populares. A melodia é de compasso binário e a harmonia é simples, porém envolvente.

      Os capoeristas agachados, na "cocorinha" como eles chamam, ouvem a música atentamente e quando a ladainha termina começam a luta, e o coro entra: "É faca de matar, camarada/Ê, ê, galo cantou camarada/Ê, ê, cocorocô, camarada". Os capoeiristas se benzem, com sinais caracteristicos do cristianismo ou do candomblé e em seguida cumprimentam-se com um aperto de mão e saem em aù começando o jogo, a luta, enfim a capoeira. Os corpos negros lançam-se no ar e no chão cada um procurando atingir o parceiro, com rasteiras, bênções, martelos, cabeçadas ou rabos-de-arrais e uma infinidade de golpes que sempre são introduzidos pelos mestres da capoeira. Os golpes são dados enquanto os capoeiristas ficam gingando o corpo de um lado para outro. É uma parte de fundamental importância da capoeira. A negativa é um golpe de defesa e contra-ataque. O capoeirista nega o corpo ao golpe do adversário, caindo para trás e, com o pé, arrasta o pé de apoio do outro derrubando-o. O vôo morcego consiste em pular com os dois pés no peito do adversário, derrubando-o.

      MUITO FORTE

      A capoeira é tão forte e autêntica que vem resistindo a tentativa de folclorização e mesmo o emfraquecimento que ocorre em algumas academias de capoeira não conseguqe acabar a sua autenticidade. Pelo contrário, seus mestres tradicionais teimam em ensiná-la a seus filhos e amigos mais queridos, cada um dentro da sua ótica defendendo esta luta, em suas academias que funcionam em locais de difícil acesso e até mesmo em salas emprestadas por entidades de bairros localizados na periferia de Salvador. Este fantástico balé dos negros é cultivado com muita garra e malícia. E ninguém sabe exatamente a sua origem. Os dois grandes mestres já falecidos, Manoel dos Reis Machado, o Bimba (1900-1973) e Vicente Ferreira Pastinha, o Pastinha (1889-1981) discordavam sobre sua origem. Bimba, que não se unia com Pastinha, defendia que a capoeira teria surgido nos engenhos de Recôncavo baiano e Pastinha dizia que veio de Angola, daí ter denominado a capoeira que ensinava de Capoeira de Angola e Bimba batizou a sua capoeira de Regional. A diferença básica entre as duas escolas está nos golpes originais, pois a Regional aproveita mais o jogo baixo e rasteiro com mistura de outras lutas, enquanto a Angola usa os golpes altos e floreios [Angola - jogo baixo, Regional - jogo alto com mistura de outras lutas].

      Para o etnólogo Waldeloir Rego, autor do ensaio sócio-etnográfico Capoeira Angola, "tudo leva a crer seja a capoeira uma invenção dos angolanos que aqui chegaram". Existem vários golpes a saber:

      Tesoura é um golpe desequilibrante. O capoeirista usa as pernas como se fosse uma tesoura aberta. Ao alcançar o adversário ele fecha as pernas e dá um giro no corpo derrubando-o. Rasteira - um bom capoeirista tem que saber das boas e rápidas rasteiras.

      É o golpe tradicional do desequilíbrio quando o adversário é supreendido e cai de vez ao chão recebendo em seguida outros golpes. O capoeirista apóia-se ao chão com as duas mãos e arrasta o adversário. Bênção - com a planta do pé e a perna flexionada o capoeirista atinge o peito do adversário com força e ainda empurra-o. Martelo - estre golpe consiste num pontapé lateral visando atingir o adversário à altura dos rins ou no rosto. É um golpe traumatizante e dói muito quando pega de cheio. Cabeçada - outro golpe altamente característico da capoeira e consiste em atingir o adversário com a cabeça. Existem vários tipos de cabeçadas, senda a mais perigosa a escurrumelo, ensinada pelo temível mestre Bimba, quando o capoeirista atinge o peito e o maxilar do adversário a um só tempo. Aú - é o movimento de defesa, de fuga e de ataque. O capoeirista apóia as mãos no chão e gira no ar, caindo de pé a alguns metros do adversário.

      Rabo-de-arrais - é outro golpe tradicional, aqui o capoeirista apóia as mãos e um pé no chão e gira o corpo rapidamente com uma perna esticada, indo atingir o adversário no rosto. Estes são os printipais golpes de capoeira, mas como é uma luta fruto do seu próprio informalismo outros golpes são sempre criados e incorporados em cada roda de capoeira por seus respectivos mestres.

      Quanto aos toques de berimbau mais famoso da capoeira existem: O São Bento Grande que é um jogo ligeiro, alto e violento. A Banguela é um jogo de dentro, com ginga lenta e golpes rápidos. A Iúna é um jogo baixo, lento e bastante floreado. A Cavalaria é um toque de aviso, quando os capoeiristas eram perseguidos pela Polícia e avisavam através deste toque a presença dos soldados. Já o São Bento Pequeno o mestre Bimba considerava o hino da capoeira. O Amazonas é um jogo com faca, muito perigoso e finalmente o São Bento Grande de Angola é um jogo lento onde predomina o floreio e serve para demonstração pois os assistentes ficam embevecidos com a agilidade dos floreios dos capoeiristas.

      CAPOEIRAS FAMOSOS DA BAHIA

      Os grandes focos de capoeiristas eram Pernambuco, Rio de Janeiro e Bahia, onde desde o seu surgimento que grandes espaços foram usados nos jornais e revistas sobre a delinqüência dos capoeiristas. Existem nomes famosos como de Nascimento Grande registrado no livro de Odorico Tavares e também por Gilberto Amado. No Rio existiu o temível Manduca da Praia que, segundo Melo de Morais "conhecido por toda a população fluminense, considerado como homem de negócio, temido como capoeira célebre, eleitor crônico da freguesia de São José, apenas respondeu a 27 processos por ferimentos leves e graves, saindo absolvido em todos eles pela sua influência pessoal e dos seus amigos". Na Bahia, falam os antigos de Besouro e de Nagé. Mais recentemente os mestre Bimba e Pastinha, ambos falecidos. Os vivos mais importantes percorreram locais históricos juntamente com este repórter, os locais dantes palco de muitas brigas e demonstrações da agilidade dos capoeiras. Estiveram no Largo do Pelourinho, no Terreiro de Jesus, no Farol da Barra, na Ponta de Humaitá e em bairros da periferia. Onde chegavam, começava a roda de capoeira com os berimbaus e pandeiros esquentando a "brincadeira". Entre eles estava Rafael Alves França, o Cobrinha Verde que aos 74 anos de idade, embora tenha afirmado "já estou fora de forma" não se conteve quando a roda foi formada no Terreiro de Jesus e assim pôde mostrar por alguns instantes a sua malandragem e perícia. Ele recentemente vinha ensinando a alunos de um colégio particular com a ajuda de um aluno mais experiente seu. Relembrando seus feitos e bravuras contou que uma noite vinha de um baile chamado de "Baile da Jega" quando uma patrulha mista o interceptou e pediu documentos. Estávamos em plena guerra quando havia toque de recolher às 21 horas. Daí Cobrinha Verde deu testa derrubando dois e tomando uma pistola com a qual botou os demais para correr.

      Mas a luta mais bonita certamente é a entre João Pequeno e João Grande. O João Pequeno que foi a segunda pessoa do mestre Pastinha, foi o mestre João Grande. É dentre os mestres um dos que mais truques de ataque e de defesa conheçe. A luta entre os dois é uma verdadeira aula de balé. Tem um caráter excepcional e uma humildade a toda prova o João Pequeno. Fala pouco e sempre que lembra Pastinha tece muitos elogios ao mestre maior da capoeira de Angola, sobretudo no diálogo mantido com os capoeiras mais antigos.

      Outros estudiosos afirmam que possívelmente foram os negros angolanos que inventaram ou mesmo trouxeram a capoeira porque eles não eram afeitos ao trabalho escravo, foram os primeiros escravos a serem trazidos e eram insolentes, loquazes, imaginosos e sem muita persistência para o trabalho, mas cheios de manha. E a capoeira é manha acima de tudo. Mas a capoeira é uma só, embora pequenas diferenças e as desavenças entre os grandes mestres ainda existam. Sim, porque capoeira quer seja angola ou regional, tem ginga, tem malícia, tem berimbaus, pandeiros, toques e golpes que servem para criação de novas variações. Mas, o método de jogar, o envolvimento e outros elementos que a caracterizam estão presentes em qualquer roda de capoeira. Esta posição discorda de Edson Carneiro que afirmou existir nove tipos de capoeira. Ela é uma só e as diferenças entre a chamada angola e regional não conseguem seccioná-la. Assim, os golpes cinturados ou ligados usados na regional, podem também de quando em vez serem utilizados por uma capoeira de angola ao improvisar. Elas na realidade vêm do mesmo tronco e a ele estão presas.

      OS MESTRES AUSENTES

      A Bahia teve grandes mestres hoje falecidos. E os dois mais recentes os quais fornaram-se conhecidos em todo o país foram Manoel dos Reis Machado, o Bimba e Vicente Ferreira Pastinha, o Pastinha falecido no dia 13 de novamento em Salvador, aos 92 anos de idade. Bimba começou lutando capoeira Angola e depois aprendeu golpes de outras lutas e adaptou-os à capoeira. Isto criou maior desavença entre os capoeiristas. Bimba era uma pessoa camarada com os desconhecidos e uma figura singular com seus alunos e amigos. Gostava de esbravejar com facilidade e chamar seus adversários para um duelo. Foi a primeira academia de capoeira criada e chama-se até hoje Centro de Cultura Física e Capoeira Regional, na década de 1930 quando ainda as autoridades consideravam a capoeira ou capoeirista um delinqüente perigoso. Mas, não tendo nem o curso primário Bimba foi suficientemente inteligente para usar seus discípulos e conseguir registrar sua academia na Secretaria da Educação. Era duro e exigia muito de seus alunos como por exemplo não permitir o uso de cigarros e bebidas. Recomendava que seus alunos evitassem demonstrar aos seus amigos fora da academia os seus progressos porque no seu entender a surpresa era a melhor arma de uma luta. Assim viveu lutando e ensinando o que aprendeu.

      Já Pastinha era um mulato baixinho, franzino e de diálogo fácil. Criou seu centro Esportivo de Capoeira de Angola em 1941 que funcionou durante muitos anos no casarão de número 19 no Largo do Pelourinho. Porém com a ascenção do local sua academia foi fechada e quando já estava cego nos seus últimos mêses de vida deram-lhe uma sala num local que ele não gostou. Morreu pobre como indigente no Abrigo de Salvador no mês de novembro passado. Ambos Bimba e Pastinha morreram quase na miséria, fruto do próprio informalismo que é a capoeira. Por mais que tentem organizá-la esta luta parece resistir a voltar as ruas e becos onde estão os elementos fortes que possibilitaram a sua criação. O negro, a pobreza e a opressão. Mas numa entrevista dada há muitos anos a uma revista do Sul o próprio Pastinha revela que ambos [João Pequeno e João Grande] não foram seus alunos. Eles já chagaram à sua academia jogando boa capoeira e tornaram-se seus contramestres por vários anos.

      O mestre Waldemar da Paixão é respeitadíssimo. Nenhum dos grandes mestres da capoeira ousa falar em capoeira na Bahia sem citá-lo. Hoje, é o principal fabricante de bons berimbaus, fabricante de "berimbau que toca", porque muitos são enfeites de turista. Sua academia funcionava na Estrada da Liberdade e atualmente não que saber de academia. "Tive muito desgosto com alunos". Às vezes a gente prepara o aluno e quando está no ponto vêm os donos desses grupos folclóricos e levam os alunos oferecendo dinheiro e roupa. Foi aí que outro mestre o Canjiquinha (Washington Bruno da Silva) interrompeu e disse: "A gente faz força e eles ficam vermelhos".

      Canjiquinha foi discípulo de Aberré um temível capoeirista, já falecido. Ele está com 56 anos de idade, aposentado e atualmente trabalha como contratado numa repartição da Prefeitura do Salvador. É o mais brincalhão de todos os capoeiristas vivos. Gosta de cantar e com duas cervejas na banca é capaz de demonstrar sua agilidade. Tem grande facilidade de improvisar toques e cantigas de capoeira, e é, segundo Waldeloir Rego, estudioso da capoeira, o que mais tem contribuído para adaptação de outros cânticos do folclore à capoeira.

      Já o mestre José Gabriel Góes, o Gato, nasceu em 1929 [1930] está portanto com 52 anos, embora aparente bem menos. É ainda o mais ágil, daí o seu nome também por sua austúcia felina, como arma e se safa dos golpes dos seus adversários. Sua academia continua funcionando e tem bons alunos. Existem ainda muitos mestres de capoeira com vários alunos e novas propostas. Mas os reunidos nesta reportagem representam o que de mais importante existe na capoeira no Brasil. São velhos mestres donos de grande sabedoria popular adquirida nos becos, ruas e vielas. São verdadeiros sábios no seu ofício e sempre entre eles existem pequenos senões, os quais tiveram que ser vencidos para que fossem fotografados e entrevistados juntos. Esqueceram o passado e brincaram juntos. As mágoas, os desafios e outros ressentimentos deram lugar ao bater firme do pandeiro, ao balançar do reco-reco e do caxixi e principalmente ao som indiscritível do berimbau, que lhes dá sempre força a continuar a batalha, mesmo com a força de todos os anos vividos.


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